quarta-feira, junho 14, 2006

Vivendo perigosamente

Quem disse que é preciso pular de para-quedas, voar de asa-delta, praticar o raft, ou escalar uma montanha para experimentar aquela sensação alucinante provocada pela adrenalina?
Quem pensa que viver perigosamente se resume a esse espírito de aventura dos atletas de esportes radicais só pode ter essa opinião por um único motivo: ainda não teve filhos.

Embora nunca tenha desejado experimentar esse tipo de sensação (não me peça para ir ao elevador do Playcenter) hoje já acho isso banal perto da constante adrenalina que me invade praticamente todos os dias.

Minha filha mais velha foi um bebê bem chorão (um encanto de criança, mas com esse pequeno defeito). Queria estar sempre no colo. Ela não gostava do carrinho, nem do berço, e muito menos do cercado. Seu negócio era ficar no colo da mamãe. Como nunca consegui trabalhar ouvindo choro de bebê passei a desenvolver outras habilidades com apenas um braço, afinal o outro abrigava minha companheira para todas as horas, a minha pequena. Mas isso me custou um pouco caro, pois certa vez ela se machucou por estar no meu colo enquanto eu tirava do forno uma forma de pão. O sentimento de culpa me acompanhou por muito tempo, afinal me senti imprudente ao desempenhar aquela tarefa segurando um bebê. Mas, sempre pude contar com a misericórdia de Deus, aliás, é só nisso que reside nosso conforto.

Porém esse não foi o único episódio que senti a adrenalina correndo nas veias e em compensação senti também a mão poderosa de Deus literalmente segurando minhas filhas. Minha segunda bebê caiu do carrinho ao meu lado enquanto eu olhava pra outra que estava brincando. O modo como ela caiu poderia ter causado um grande estrago, mas graças a Deus ele a segurou e a protegeu com sua mão abençoadora. Mais uma vez aquele friozinho na barriga me invadiu e tem sido quase que uma constante essa sensação já que há sempre algo novo acontecendo com elas. Ou estão brincando em algum lugar perigoso, ou pegaram um objeto na gaveta, ou estão querendo ficar doentes, estão com febre, tiveram uma reação alérgica, pegaram uma virose e em todas essas situações a adrenalina está presente.

A vida fica mais tensa com a chegada dos filhos, as noites se tornam mais curtas, o sono mais leve. Com poucas horas de vida eles já deixam nosso coração apertado, e mesmo que não estejam em situação de perigo, quando pensamos a respeito deles às vezes sentimos o coração disparar.

Tudo isso nos faz pensar que se por um lado precisamos a cada dia aprender a zelar mais e mais pelos nossos filhos não só por sua vida física, mas também por suas emoções, ou sua vida espiritual, por outro lado temos que ampliar nossa fé naquele que nos sustenta e nos protege. Se viver ficou mais perigoso com a chegada dos filhos nada melhor que desenvolver a habilidade de depositar nossa confiança no Senhor de tudo. Saber que Deus está no controle de todas essas situações que trazem preocupação faz toda a diferença para o coração da mãe. Só ele pode nos dar paz para enfrentarmos essa vida doce, mas não menos “perigosa”. Mas quem é que não gosta de adrenalina?