sexta-feira, setembro 22, 2006

“Pastoreando o Coração” ou “Super Nanny”?



Como os leitores do blog já puderam notar, o comportamento infantil é um assunto que me desperta grande interesse. E não poderia deixar de ser já que estou protagonizando o papel de mãe durante 24 horas desde setembro de 2002. Contracenando comigo, três lindas menininhas, que me fascinam com suas peculiaridades, e também aumentam minha necessidade de buscar novas informações que venham enriquecer minha atuação. É por esse motivo que não consigo evitar observar qualquer meio de comunicação que focalize o tema criação de filhos.


O programa de televisão “Super Nanny”(SBT), que foi inspirado no “SOS Babá” do canal Discovery Home and Health me chamou a atenção por ter como alvo ajudar famílias, principalmente pais e mães, na educação de seus filhos. Já comentei bastante a respeito no último texto postado, por isso quero apenas dizer que a princípio tive boas impressões dos episódios que assisti. Achei que alguns métodos apresentados pelo programa poderiam ser aplicados como, por exemplo, a imposição do castigo de ir para o quarto e pensar por alguns instantes, ou recompensar os filhos pelo bom comportamento, ou coisas semelhantes a essas que surtiriam numa melhora de atitudes.


Embora já tivesse lido várias obras de autores cristãos objetivando munir pais e mães de instruções bíblicas a fim de auxiliá-los nessa tarefa, nenhum livro me impactou mais do que o intitulado “Pastoreando o Coração da Criança”, do pastor americano Tedd Tripp. Ao contrário da proposta do programa de televisão, o autor traça uma meta muito mais profunda do que a de simplesmente buscar a mudança de comportamento dos filhos. Sua conversa franca com os pais é para que se trate aquilo que está por trás das ações da criança, ou seja, o que vai no coração.


O livro traz uma perspectiva muita mais coerente com as Escrituras por essa característica, pois nem sempre o bom comportamento é sinônimo de um coração quebrantado, pode ser fruto do medo das conseqüências (“se desobedecer, será castigado”); ou ainda representar interesse pela gratificação. A idéia principal do autor, fundamentada na proposta bíblica, é a de que a criança deve obedecer por ter em seu coração o desejo de agradar a Deus e por estar ciente de que a obediência a seus pais é uma ferramenta para isso.


Um dos pontos que também me trouxe uma nova perspectiva quanto à disciplina é de que ela pode se transformar num momento em que o plano de salvação será exposto para a criança. Destrinchando o conceito: a criança é confrontada com seu erro, é lhe dito que ela erra por ser pecadora e este problema só pode ser resolvido quando ela entrega seu coração a Jesus para que ele o limpe. Um parêntese: Não é assim que somos disciplinados por Deus?


Essas e muitas outras questões concernentes à educação permeiam o conteúdo do livro, que é uma leitura de fácil compreensão e repleta de idéias práticas e objetivas, e o que é melhor, fiel à Palavra. Para mim, instrumento indispensável.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Pais "apaixonados", Filhos ajustados

Um dos programas de tv que tem obtido grande atenção do público que busca auxílio em se tratando de educação de filhos é o SOS Babá. Já havia assistido vários episódios pelo canal fechado Discovery Home and Health e tenho a impressão de que dada a projeção e audiência o programa ganhou uma versão nacional, que é transmitida pelo SBT aos domingos com o título de Super Nanny.

O enfoque é mostrar problemas relacionados à indisciplina de crianças as quais os pais já perderam completamente o controle. É comum em cada episódio observar crianças de 2 ou 3 anos de idade proferindo palavras indecentes aos pais, agredindo fisicamente seus pais e irmãos, algo que aparentemente pode ser comum em qualquer família mas que ao mesmo tempo não pode e nem deve se tornar uma prática, tal como nos casos em que a babá é chamada para intervir. Vou fugir um pouco do objetivo desse texto, pois na verdade meu intuito era fazer uma crítica ao programa (ficará para uma outra ocasião), mas pretendo aproveitar aquilo que vejo de positivo no Super Nanny para exemplificar uma das ferramentas que creio seja a mais importante para o bom comportamento dos filhos e que pretendo tratar a seguir tendo como respaldo, claro, a prescrição bíblica.

Uma das coisas que mais me chama a atenção no programa é a percepção da babá quanto aos pontos fracos da família. Uma das primeiras falhas apontadas diz respeito à falta de autoridade dos pais em relação aos filhos, porém após algum tempo de convivência da babá com os membros da casa percebe-se que o problema muitas vezes vai mais além. Na maior parte dos casos em que os filhos são desobedientes, incontroláveis e agressivos o diagnóstico é tensão no relacionamento entre o marido e a esposa. O que mais me impressiona nessa situação é a percepção das crianças no que se refere aos conflitos vividos por seus pais. Quando os pais vivem em pé de guerra, discutem, enfrentam-se, divergem quanto à disciplina sem escolher o momento adequado para as críticas, fica quase que impossível requerer o bom comportamento dos filhos. Mas esses não são os piores casos. Muitos casais na tentativa de poupar seus filhos optam pelo silêncio, crendo que com isso não deixarão transparecer seus impasses e evitarão que os filhos os absorvam. Ao subestimarem a capacidade de compreensão das crianças acabam por deixá-las inseguras, porque elas não conseguem entender a razão de seus pais já não mais se comunicarem.

Não há nada que cause mais insegurança nos filhos do que notar que seus pais não se amam, ou não se tratam com amor. E não é preciso discutir na frente deles para que o problema seja desvendado. A falta de harmonia do casal paira no ar.

O sentimento que é gerado no coração desses pequenos que enfrentam a desunião de seus pais muitas vezes perpassa pela culpa, ira, insegurança, insatisfação, baixa auto-estima, medo, tristeza. Muitos casais que estão lutando para manter seus filhos sob controle ignoram o fato de serem eles os reais necessitados de tratamento. As Escrituras trazem exemplos clássicos que apontam os desajustes entre pais e filhos como os casos da família de Abraão e também de Jacó. No primeiro deles, na tentativa de dar uma mão aos planos de Deus, Abraão e Sara se precipitam e um filho é gerado no seio da família através de uma das servas do casal. As conseqüências desse ato têm repercussão até nossos dias, já que em Ismael, fruto dessa empreitada, teve início o conflito entre os israelitas e seus atuais inimigos (ver relato em Gn 16; 21). No caso de Jacó, por amar mais sua esposa Raquel do que as outras mulheres com as quais teve filhos, havia distinção entre o filho dela, José, e os demais. José tinha certeza do amor de seus pais e seu comportamento alimentava esse amor ao mesmo tempo em que ampliava a raiva de seus irmãos, pois sentiam-se preteridos. As conseqüências também foram desastrosas, embora Deus em sua infinita misericórdia as tenha tornado em bem no final de tudo. Mas os meios utilizados no processo foram permeados por ódio, mágoa, frustração (Gn 37; 45).

Quando os filhos enxergam com nitidez que seus pais se amam, eles têm em sua mente um conceito sólido de família, observam o mundo sob essa perspectiva. Até mesmo quando vêem um desenho com duas figuras, uma foto com um homem e uma mulher, um casal de animais, sempre os identificam como “o papai e a mamãe”. Eles entendem que um não fica sem o outro, eles compreendem na prática, no cotidiano que os dois na verdade são um.

É comum entre os casais que estão com dificuldade em manter a disciplina de seus filhos detectar problemas de comportamento na criança sem levar em conta que esta situação pode ter origem no relacionamento conjugal. Preocuparmo-nos em encontrar os defeitos de nossos filhos é muito mais fácil do que realizar um auto-exame e colocar na balança nossas próprias diferenças como casal. Se as arestas não forem aparadas entre marido e esposa é possível que se combata o efeito e não a causa do problema. Que Deus nos dê sabedoria.