quarta-feira, junho 30, 2010

Quando ela baila...


Seus olhos são como duas janelas...
Fecham-se para o mundo,
Abrem-se para o seu próprio universo
Seus movimentos, certeiros e precisos, revelam a exuberância de sua essência
Os cabelos desgrenhados arrematam o contorno do corpo
Seus pés delicados tocam e prensam o chão como duas pontas afiadas a esculpir uma obra artística

Quando ela baila...
O mundo para
As cortinas se abrem
E é impossível desviar o olhar
Seus sentimentos abandonam o íntimo e se deixam transparecer
Suas emoções são expressas nos gestos, no ritmo, na música interior

Quando ela baila...
Não passo incólume
Não perco nada
Não ouço mais
Os olhos fitos
O coração pulsante
A emoção aflora
Quando ela baila...

De: Mamãe
Para: Sarah
30/06/2010

(Poema que fiz enquanto a observava dançar livremente em uma de suas aulas de ballet
)

quinta-feira, junho 03, 2010

Minhas marcas

Já faz muito tempo que não dedico alguns momentos da minha vida mais que corrida pra postar aqui. Tenho andado muito ocupada com leituras, pesquisas e produção de texto, talvez como nunca antes tenha acontecido em minha vida. O interessante disso tudo é que tenho a impressão de que quanto mais pesquiso e escrevo mais tenho vontade de fazê-lo. Então, quero aproveitar esse momento de inspiração pra colocar a conversa em dia.


Ontem, procurando alguma literatura que me desse um pouco mais de informações a respeito da adolescência, e de tudo que implica essa fase da vida, me deparei com o livro do Gary Chapman, intitulado “As cinco linguagens do amor dos adolescentes”. Embora as minhas filhas ainda estejam um pouco distantes dessa fase, fiz essa busca porque gosto de me informar sobre esse assunto. Li boa parte do livro, talvez as partes mais importantes, e que me fizeram refletir sobre a educação das minhas filhas. Hoje elas estão bem mais crescidas do que quando comecei a escrever em meu blog, mas sinto que por mais que eu já tenha investido na busca por ser uma boa mãe, aquela que não quer errar com seus filhos, percebo que por muitas vezes fracasso.

Pensando no meu dia a dia com minhas princesas, sinto que o trabalho parece ter aumentado. À medida que vão crescendo já não admitimos mais certos comportamentos e atitudes que são comuns nas fases mais infantis. O desleixo com as coisas, brinquedos e roupas, a resposta mal criada, já não são toleradas do mesmo modo que o eram há um tempo atrás. Sempre digo à minha mais velha que tenho a impressão de que ela era mais obediente quando mais novinha. O fato é que talvez eu também não esteja sendo a mesma mãe dócil e paciente de tempos atrás. A paciência na verdade, nunca foi meu forte. Consciente da minha fragilidade nessa área, faço disso minha oração constante, pois quando a paciência se esvai o resultado é catastrófico.

Ao ler o livro do Chapman, fui confrontada com atitudes minhas que condeno e que luto para não tê-las, mas elas sempre estão ali. No dia a dia é difícil conscientizar as meninas (4, 6 e 7 anos) que não devem andar descalças, por exemplo. O problema é que apesar de eu já as ter instruído sobre isso, preciso repetir e relembrá-las todo santo dia. Não deixar as roupas ou o material jogado então, acho que já perdi a conta do tanto que foram advertidas quanto a isso.
A bem da verdade é que depois de passarmos um longo tempo insistindo nas mesmas instruções a paciência chega ao seu limite. Conseqüentemente o pecado aflora e chego à conclusão de que passo os meus dias oferecendo a elas muito mais reforços negativos do que positivos.
Embora me cobre por não ser uma mãe perfeita, afinal sempre achei que isso fosse possível (rs...), tenho que tomar consciência de que não sou e nunca serei. Talvez se não impusesse sobre mim tamanha carga conseguisse refrear as palavras e gestos duros que demonstro quando perco aquilo que mais peço a Deus para ter.


Minha preocupação, e creio que essa deva ser a preocupação de todas nós, mães, é quanto às minhas marcas. Não há como não deixar marcas na vida dos filhos. Lembro-me dos relatos bíblicos sobre o sacerdote Samuel, que ao seguir o exemplo do seu tutor Eli, foi negligente com seus filhos. Também Davi, embora tenha sido um excelente rei, não foi um bom pai e isso deixou marcas profundas em seus filhos, sua família ficou despedaçada! Jacó também, pelo favoritismo a José, deixou marcas de sofrimento nos outros filhos que sentiam-se preteridos, e o que eles mais desejavam era ter o amor do pai. Como lembrou Chapman em seu livro, o que os filhos mais querem é ser amados por seus pais, mas muitas vezes os pais não sabem como demonstrar esse amor. O amor existe, ele está lá no fundo do coração dos pais, mas os desapontamentos com os filhos o escondem. Vejo o quanto deixo de amar minhas filhas quando ao invés de elogiar uma atitude positiva, ao invés de me aproximar para dizer o quanto as amo, só me preocupo em ver e corrigir o que fazem de errado. Como mãe, fico irritada por ver os erros delas, e estou sempre chamando a atenção de cada uma ao invés de gastar tempo encorajando-as a melhorar!


Escrevo porque preciso me lembrar que embora sejam pequenas elas vão carregar as marcas que eu deixar hoje, para o resto da vida. Se deixo marcado o meu amor por elas, se imprimo essa verdade no coração de cada uma delas, isso irá encorajá-las a amar também; mas se as lembranças a meu respeito forem turvas, confusas em relação ao amor que demonstro, elas também levarão essas marcas consigo. Elas terão dúvidas quanto à intensidade desse amor, ou poderão pensar que o amor dos pais está vinculado ao que elas fazem de certo ou errado. É preciso demonstrar aos filhos que são amados não importando o que venham a fazer. Assim como Deus nos ama apesar do pecado, que nunca vamos abandonar, nós também devemos deixar claro aos nossos filhos que eles são amados a despeito dos erros que cometem. Não quero que você pense que estou defendendo que devem ser complacentes com os erros. De modo algum! Impor limites é também uma demonstração importante de amor. O que quero dizer é que não podemos nos concentrar somente na imposição de limites, devemos dosá-los como uma porção considerável de demonstrações de amor e carinho. Você pode se surpreender com os reflexos dessas atitudes na vida de seus filhos, que provavelmente venham a obedecê-los sem questionamentos ou expressões de rebeldia.

Assim como desejo que minhas atitudes se transformem com a graça e o auxílio de Deus, quero encorajar você a repensar também as possíveis marcas que seus filhos levarão dos pais que os amaram.
É hora de repensar o que passou e buscar por em prática as mudanças necessárias para que os nossos filhos levem de nós marcas de amor, de auto-confiança, de gratidão por tudo o que tem, de alegria, de altruísmo e principalmente de uma vida sob a égide da Palavra de Deus.

E então, que marcas você quer deixar em seus filhos?