segunda-feira, maio 29, 2006

A primeira viagem

Durante toda a minha primeira gestação (enquanto ainda me sobrava um pouco de tempo) me transformei numa internauta inveterada. Lia muito sobre tudo o que se relacionava à gravidez, tinha interesse em conhecer passo a passo o desenvolvimento do bebê a cada semana, procurei me inteirar sobre os mais diversos aspectos referentes a essa temática: desde a alimentação adequada a esse período até dicas sobre como amamentar, o que fazer na hora das cólicas, como agir no hospital; e tudo isso me foi de grande valia.

Ao final da gestação me via de certa forma preparada para encarar aquela nova etapa, crente que poderia tirar de letra essa tão grande mudança em minha vida.
Até que ela chegou... e eu, que nunca havia sequer trocado a fralda de nenhum bebê me vi naquele momento mãe e de fato era minha primeira viagem. Após ler livros, pesquisar, me inteirar sobre esse novo acontecimento não fazia a menor idéia de que internamente teria a seguinte reação: sou mãe, e agora?

Ao mesmo tempo em que procurava manter a serenidade, me via perdida em meio a tantas informações e a opiniões tão antagônicas sobre o assunto, que em muitos momentos fui levada às lágrimas e a um sentimento quase que incontrolável de insegurança.

Quando se é mãe pela primeira vez a pior coisa que se deseja é que os outros te achem incapaz de exercer essa tarefa. A sensação que tive quando as pessoas a minha volta, ainda que na melhor das intenções, tentavam me dar dicas ou me ensinar algo sobre como lidar com o bebê (todo mundo nessas horas sempre tem um palpite a dar) é de que ninguém depositava fé na minha habilidade para ser mãe. Embora essa seja uma reação normal às mães de primeira viagem, não tenho orgulho desse sentimento, pois na minha arrogância não queria admitir que aquilo era uma grande realidade. Só iria aprender a lidar com aquela novidade com o passar do tempo, ao vivenciar experiências. Mas Deus me ensinou que precisava exercitar mais uma lição: a humildade, devia reconhecer minhas limitações, afinal ser mãe, sem dúvida, era novidade para mim.

Apesar de não querer admitir (o orgulho faz isso com a gente), aprendi muito com a experiência de outras mães e também fui buscando diante de Deus a segurança necessária para enfrentar esse desafio que estava à minha frente.

Só em Deus pude encontrar refúgio para cuidar do meu bebê, mesmo porque conceitos errados a respeito da maternidade difundidos pelas próprias mães muitas vezes são confundidos com amor, carinho, cuidado. Desde a escolha do local onde o bebê vai dormir até quando a “vara” será usada pela primeira vez, tudo deve estar respaldado nos ensinamentos bíblicos.

- Apenas um exemplo para ilustrar essa idéia: os bebês choram muito nos primeiros meses de vida. Ou estão com cólica, com fome, com frio, assustados com o mundo grande ao seu redor. Enquanto nossa tendência é entrar em desespero, chorar junto com a criança, agir com nervosismo, a Bíblia insta-nos a ser mansos, serenos, a lançarmos sobre Deus nossas ansiedades e nada melhor do que aplicar essas verdades numa situação como essa. Ao invés de perdermos tempo ficando inquietos e apreensivos diante do bebê deveríamos em primeiro lugar orar a Deus pedindo tranqüilidade, respirar fundo, manter a calma para poder transmiti-la, com certeza os resultados seriam muito mais eficientes e chegariam mais cedo.

Compartilhar a experiência de ser mãe pode ser reconfortante e enriquecedor, mas nunca se deve deixar de lado a necessidade de permear essa experiência com os conceitos bíblicos da maternidade principalmente para quem está em sua primeira viagem.

terça-feira, maio 23, 2006

O milagre de 9 meses


Viver intensamente os 9 meses de gravidez é algo muito gratificante. Apesar das preocupações normais de uma mulher que até então não sentia na pele a responsabilidade por um ser completamente dependente, a gestação é algo surpreendente, um grande milagre que não pode ser ignorado. Hoje com o recurso da ultrassonografia acompanhar esse processo tornou-se uma tarefa fascinante.

A primeira vez que vi meu bebê, ainda no meu ventre com apenas 12 semanas de vida e já com todos os membros de seu corpo presentes, tendo pouco mais de 6 centímetros de comprimento, e já movimentando-se rapidamente, fiquei completamente maravilhada, me vi portadora de uma dádiva que mais uma vez revelava o poder criativo de Deus. Em curtos 9 meses, (para a grávida nem tão curtos assim) o bebê passa de uma célula microscópica a um ser humano cheio de potencialidades como num passe de mágica.

Numa das minhas aulas de pós-graduação assistimos a um filme que tinha como tema o desenvolvimento do bebê durante a gestação e foi impressionante perceber a rapidez com que um novo ser é entretecido no útero materno, como diz Davi no Salmo 139.
Gerar um filho dentro de si é uma maneira (no caso da mulher) de refletir a imagem de Deus como Criador, aquele que dá vida. Não é à toa que o momento do parto é chamado de “dar à luz”.

Hoje olho para as minhas filhas e procuro me lembrar dessa verdade e vejo o quanto preciso reconhecer a necessidade do auxílio divino para criá-las, educá-las... e nada melhor que o próprio Criador para ensinar como se deve lidar com o produto de seu trabalho. Se é ele quem nos forma como um artífice só ele tem condições de nos ajudar a cuidar de algo tão precioso confiado às nossas mãos. Será que temos a dimensão dessa responsabilidade?

Talvez se todas as mulheres, tanto as mães em potencial como também aquelas que já carregam essa marca, pudessem dar o devido valor a esse período tão ímpar de suas vidas, que é a gestação, nos sentiríamos muito mais seguras em educar nossos filhos afinal creio que o sentimento de segurança seja o maior anseio de quem conhece as atribuições de ser mãe.

Lição de altruísmo

Muitos me perguntam como consigo criar três filhas pequenas com pouquíssima diferença de idade e que vivem numa busca incessante pelo desvendar, pelo conhecer, pelo descobrir.
Dentro do ambiente em que vivem cada porta é uma aventura, cada canto da casa um esconderijo, cada espaço um mundo a ser explorado.Em cada uma dessas situações me vejo constantemente apreensiva, temerosa de que algo lhes aconteça, de que se machuquem... uma espécie de tensão associada ao entusiasmo de vê-las crescer.

A vida com elas é sempre muito corrida, já que as três ainda dependem de mim para praticamente tudo e dificilmente minha casa está em ordem, a louça está lavada, ou a cama arrumada. É algo que preciso trabalhar em mim o tempo todo. Mas acho que não existe maneira mais prática de se aprender o altruísmo qdo se é mãe. Aprendemos o abnegar, o abrir mão, e em muitas ocasiões esse aprendizado é doloroso. Às vezes tenho a sensação de que só vivo pra satisfazer a necessidade de outros, e preciso aprender, em diversos momentos, a abrir mão das minhas, mas creio que não haja tarefa mais sublime e eu diria mais importante do que essa: ser mãe.
Vejo que muitas pessoas (e até mesmo eu) possuem o pensamento de que essa tarefa tem menos valor do que obter uma carreira e utilizar a inteligência a serviço de uma empresa, mas vejo que é preciso muito mais que inteligência para formar um cidadão, um ser humano ético, honesto, e no nosso caso exemplo de cristão. Uso aqui o mesmo termo utilizado por Paulo no livro de Romanos (12.2) quando diz que não devemos nos conformar com este século, ou seja, não devemos usar a fôrma do mundo para nos moldar. Quem são aos fôrmas dos nossos filhos? Se nosso molde não for o grande Autor da vida: Jesus, como poderemos formá-los?Não devemos nunca menosprezar esse papel, pois não existe salário que pague o vivenciar o desenvolvimento de uma criança ainda que muitas vezes nossas forças pareçam se esgotar. Se pensarmos em nossos filhos como heranças, o que pode ter maior valor do que eles?

"Herança do Senhor são os filhos, o fruto do ventre o seu galardão" Sl 127.3
Que Deus nos enriqueça em sabedoria para ganharmos o coração de nossos filhos e aprendermos, ainda que a duras penas, o que é de fato o amor de Deus e assim amarmos nossa família sem egoísmo.

Sejam bem vindos!

Este blog é apenas uma tentativa despretenciosa de compartilhar com seus visitantes a maravilhosa experiência da maternidade.

Sou mãe de 3 filhas lindas entre 6 meses e 4 anos e posso dizer que minha vida mudou para sempre depois que fui presenteada com a chegada delas. Meu marido também pode dizer o mesmo, afinal somos uma equipe nessa tão fantástica tarefa: ter filhos.

Espero que gostem desse canal de comunicação e se desejarem usem-no para fazer comentários e assim enriquecer nossas histórias.