quarta-feira, novembro 08, 2006

Meu maior defeito

Quem já experimentou a bênção de ter filhos é capaz de compreender o quão árdua é a tarefa de educar. Costumo muitas vezes contrariar o provérbio que diz: “ser mãe é padecer no paraíso”. Acabo citando-o da seguinte forma: ser mãe é padecer - ponto final. Não que essa idéia represente uma visão negativa da criação de filhos, mas por trás das muitas bênçãos e alegrias que uma criança pode proporcionar à vida de um casal, as responsabilidades acabam em certas ocasiões sobrepujando os momentos prazerosos. Isso porque infelizmente nossos filhos nascem com apenas uma inclinação, aquela que pende para o pecado, aquela herança que nos separa de Deus, ou mais ainda, não nos permite querê-lo.

Embora todo ser humano carregue em sua essência alguns atributos divinos, transferidos pelo próprio Deus no momento em que criou o homem à sua imagem e semelhança – como por exemplo, bondade, amor, justiça – o pecado não permite que eles se sobressaiam. Tudo aquilo que é bom em nós, não por nós mesmos, mas pela vontade divina, aparece de forma distorcida, camuflada, pois o pecado é como jogar sujeira dentro de uma fonte de água potável, ou seja, após esse acontecimento ela perde por completo sua pureza. Ou, como nos apresenta o relato bíblico, o pecado é como o fermento, o qual uma pitada é capaz de reagir com toda a massa (1Co 5.6).

Ao nascermos, há apenas um querer dentro de nós, apenas uma vontade, aquela que nos leva a desejar o caminho do pecado. Agora já se pode imaginar o quanto é difícil conviver com um ser que desconhece completamente o bem. Ainda que essa constatação pareça exagerada, afinal quando olhamos para um bebê o vemos cheio de encantos, de movimentos suaves, sorriso doce, e assim temos dificuldade em aceitar que aquela criança meiga seja capaz de manifestar atitudes más, me sinto desafiada a refletir sobre alguns aspectos:
- Já com poucos meses de vida, a criança é capaz de relutar contra uma imposição de seus pais que a informam que aquela é a hora de dormir. É comum notarmos a resistência da criança manifestada através de movimentos rápidos do corpo, choro agressivo e desejo de se libertar.
- A partir do nono mês aproximadamente, a criança já é capaz de reproduzir alguns sons que lhe são ensinados, pode aprender a bater palmas, há uma melhora significativa em sua coordenação motora, mas também se pode constatar com maior nitidez sua obstinação. Enquanto ela é ensinada que não deve tocar em algo, ou mexer em determinado objeto, sua primeira reação é contrariar a ordem e continuar agindo como vinha fazendo anteriormente. Não sendo corrigida, não será capaz de discernir o que deve ou não fazer.
- Ao desenrolar das fases, embora a perspectiva de certo e errado vá aumentando, o desafio à autoridade também se torna maior.

Tudo isso para dizer o quanto é fácil perder a calma, se exasperar. Como é difícil não perder o controle depois de seu filho ter desobedecido quase todas as suas ordens, mesmo já tendo sido disciplinado. Existem dias em que a disciplina dura enquanto os filhos estiverem acordados. Sendo agente de Deus na vida de minhas filhas muitas vezes me pego esbravejando, demonstrando irritabilidade e rudeza. E imediatamente após minha atitude incorreta me vem à mente o texto: “o amor não se exaspera”. (1Co 13.5) Como é difícil cumprir esse desafio prescrito pelas Escrituras após um dia inteiro de prática da educação propriamente dita, convivendo com pessoas que em todo tempo resistem a ordens, detestam a obediência, estão cegos diante do caminho da retidão.

A cada dia me sinto mais e mais desafiada a enfrentar e superar meus delitos, sei que se essa é minha área de maior dificuldade, Deus colocará a minha frente situações em que terei de subjugá-la. E aí consigo enxergar o quão rico pode ser esse relacionamento já que é usado para moldar caráter, não só o dos filhos, mas também o dos pais. É a incomparável sabedoria divina mais uma vez refletida no ambiente familiar. Quão inescrutáveis são os caminhos do Senhor e insondáveis os seus juízos (Rm 11.33), a Ele pois a glória eternamente, Amém.

segunda-feira, outubro 16, 2006

O que é mimar?

Há muito tempo venho pensando sobre o que significa “mimar” uma criança.

É certo que existe um consenso entre pais e educadores de que mimar é nocivo, é algo que impedirá a criança de lidar com os obstáculos que poderá vir a enfrentar ao longo da vida e também irá prejudicar seus relacionamentos em qualquer esfera.

Embora naturalmente se associe o mimar com satisfazer todos os desejos da criança ou enchê-la de presentes, ou ainda evitar a disciplina por algum ato de desobediência, tenho percebido uma outra espécie de mimo que é de igual modo maléfica. Como estou sempre repensando minhas atitudes como mãe, pois em minha opinião a auto-análise é indispensável, venho me questionando se o fato de só dar atenção às minhas filhas no momento em que estão fazendo algo de errado também não é uma maneira de mimá-las. É ponto pacífico que esta atitude está completamente equivocada e vai de encontro a tudo o que já li a respeito de educação de filhos e principalmente se contrapõe ao conceito bíblico que mostra a necessidade de investir em qualidade de tempo junto às maiores riquezas que Deus nos confia. A prescrição registrada por Moisés em Deuteronômio deixa bem clara essa idéia: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Dt 6.6-7).

Talvez, para quem ainda não tenha passado pela experiência da maternidade (falo especialmente às mães, pois o tempo dos pais no lar é mais escasso), seja difícil entender como alguém pode restringir a atenção aos filhos ao momento da disciplina. Mas para aquelas famílias que possuem uma ou mais crianças que estejam principalmente na primeira infância, sendo este o período de maior dependência dos pais, fica mais fácil compreender como é comum incorrer nesse erro. Isso porque o dia parece voar nessa fase, as mães ficam quase que em tempo integral à disposição dos filhos, cuidando para que cada uma de suas necessidades (necessidades, não desejos) seja atendida. Em meio a essas circunstâncias é comum o cansaço e a tentação de se distanciar e só agir quando surge algum problema.

Se pararmos para analisar o resultado dessa atitude de certa forma passiva de pais que só se dirigem aos filhos quando as coisas estão saindo do controle, vamos perceber que essas crianças irão aprimorar ainda mais seu mau comportamento para atingir seus objetivos. E o que é isso senão o sinônimo de criança mimada?

É interessante notar como os extremos se aproximam nesse caso, já que tanto o fazer as vontades quanto o só disciplinar apresentam o mesmo efeito: mais indisciplina. Nossos filhos precisam de nós quando estão quietos assistindo TV, ou quando estão brincando no quarto ou se apenas se achegam para dar ou receber carinho.

Muitas vezes temos tantas desculpas para justificar nossa ausência (de corpo presente) que nos esquecemos de avaliar os frutos que estamos colhendo pela negligência. Essa é mais uma lição que desejo tomar para mim.

sexta-feira, setembro 22, 2006

“Pastoreando o Coração” ou “Super Nanny”?



Como os leitores do blog já puderam notar, o comportamento infantil é um assunto que me desperta grande interesse. E não poderia deixar de ser já que estou protagonizando o papel de mãe durante 24 horas desde setembro de 2002. Contracenando comigo, três lindas menininhas, que me fascinam com suas peculiaridades, e também aumentam minha necessidade de buscar novas informações que venham enriquecer minha atuação. É por esse motivo que não consigo evitar observar qualquer meio de comunicação que focalize o tema criação de filhos.


O programa de televisão “Super Nanny”(SBT), que foi inspirado no “SOS Babá” do canal Discovery Home and Health me chamou a atenção por ter como alvo ajudar famílias, principalmente pais e mães, na educação de seus filhos. Já comentei bastante a respeito no último texto postado, por isso quero apenas dizer que a princípio tive boas impressões dos episódios que assisti. Achei que alguns métodos apresentados pelo programa poderiam ser aplicados como, por exemplo, a imposição do castigo de ir para o quarto e pensar por alguns instantes, ou recompensar os filhos pelo bom comportamento, ou coisas semelhantes a essas que surtiriam numa melhora de atitudes.


Embora já tivesse lido várias obras de autores cristãos objetivando munir pais e mães de instruções bíblicas a fim de auxiliá-los nessa tarefa, nenhum livro me impactou mais do que o intitulado “Pastoreando o Coração da Criança”, do pastor americano Tedd Tripp. Ao contrário da proposta do programa de televisão, o autor traça uma meta muito mais profunda do que a de simplesmente buscar a mudança de comportamento dos filhos. Sua conversa franca com os pais é para que se trate aquilo que está por trás das ações da criança, ou seja, o que vai no coração.


O livro traz uma perspectiva muita mais coerente com as Escrituras por essa característica, pois nem sempre o bom comportamento é sinônimo de um coração quebrantado, pode ser fruto do medo das conseqüências (“se desobedecer, será castigado”); ou ainda representar interesse pela gratificação. A idéia principal do autor, fundamentada na proposta bíblica, é a de que a criança deve obedecer por ter em seu coração o desejo de agradar a Deus e por estar ciente de que a obediência a seus pais é uma ferramenta para isso.


Um dos pontos que também me trouxe uma nova perspectiva quanto à disciplina é de que ela pode se transformar num momento em que o plano de salvação será exposto para a criança. Destrinchando o conceito: a criança é confrontada com seu erro, é lhe dito que ela erra por ser pecadora e este problema só pode ser resolvido quando ela entrega seu coração a Jesus para que ele o limpe. Um parêntese: Não é assim que somos disciplinados por Deus?


Essas e muitas outras questões concernentes à educação permeiam o conteúdo do livro, que é uma leitura de fácil compreensão e repleta de idéias práticas e objetivas, e o que é melhor, fiel à Palavra. Para mim, instrumento indispensável.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Pais "apaixonados", Filhos ajustados

Um dos programas de tv que tem obtido grande atenção do público que busca auxílio em se tratando de educação de filhos é o SOS Babá. Já havia assistido vários episódios pelo canal fechado Discovery Home and Health e tenho a impressão de que dada a projeção e audiência o programa ganhou uma versão nacional, que é transmitida pelo SBT aos domingos com o título de Super Nanny.

O enfoque é mostrar problemas relacionados à indisciplina de crianças as quais os pais já perderam completamente o controle. É comum em cada episódio observar crianças de 2 ou 3 anos de idade proferindo palavras indecentes aos pais, agredindo fisicamente seus pais e irmãos, algo que aparentemente pode ser comum em qualquer família mas que ao mesmo tempo não pode e nem deve se tornar uma prática, tal como nos casos em que a babá é chamada para intervir. Vou fugir um pouco do objetivo desse texto, pois na verdade meu intuito era fazer uma crítica ao programa (ficará para uma outra ocasião), mas pretendo aproveitar aquilo que vejo de positivo no Super Nanny para exemplificar uma das ferramentas que creio seja a mais importante para o bom comportamento dos filhos e que pretendo tratar a seguir tendo como respaldo, claro, a prescrição bíblica.

Uma das coisas que mais me chama a atenção no programa é a percepção da babá quanto aos pontos fracos da família. Uma das primeiras falhas apontadas diz respeito à falta de autoridade dos pais em relação aos filhos, porém após algum tempo de convivência da babá com os membros da casa percebe-se que o problema muitas vezes vai mais além. Na maior parte dos casos em que os filhos são desobedientes, incontroláveis e agressivos o diagnóstico é tensão no relacionamento entre o marido e a esposa. O que mais me impressiona nessa situação é a percepção das crianças no que se refere aos conflitos vividos por seus pais. Quando os pais vivem em pé de guerra, discutem, enfrentam-se, divergem quanto à disciplina sem escolher o momento adequado para as críticas, fica quase que impossível requerer o bom comportamento dos filhos. Mas esses não são os piores casos. Muitos casais na tentativa de poupar seus filhos optam pelo silêncio, crendo que com isso não deixarão transparecer seus impasses e evitarão que os filhos os absorvam. Ao subestimarem a capacidade de compreensão das crianças acabam por deixá-las inseguras, porque elas não conseguem entender a razão de seus pais já não mais se comunicarem.

Não há nada que cause mais insegurança nos filhos do que notar que seus pais não se amam, ou não se tratam com amor. E não é preciso discutir na frente deles para que o problema seja desvendado. A falta de harmonia do casal paira no ar.

O sentimento que é gerado no coração desses pequenos que enfrentam a desunião de seus pais muitas vezes perpassa pela culpa, ira, insegurança, insatisfação, baixa auto-estima, medo, tristeza. Muitos casais que estão lutando para manter seus filhos sob controle ignoram o fato de serem eles os reais necessitados de tratamento. As Escrituras trazem exemplos clássicos que apontam os desajustes entre pais e filhos como os casos da família de Abraão e também de Jacó. No primeiro deles, na tentativa de dar uma mão aos planos de Deus, Abraão e Sara se precipitam e um filho é gerado no seio da família através de uma das servas do casal. As conseqüências desse ato têm repercussão até nossos dias, já que em Ismael, fruto dessa empreitada, teve início o conflito entre os israelitas e seus atuais inimigos (ver relato em Gn 16; 21). No caso de Jacó, por amar mais sua esposa Raquel do que as outras mulheres com as quais teve filhos, havia distinção entre o filho dela, José, e os demais. José tinha certeza do amor de seus pais e seu comportamento alimentava esse amor ao mesmo tempo em que ampliava a raiva de seus irmãos, pois sentiam-se preteridos. As conseqüências também foram desastrosas, embora Deus em sua infinita misericórdia as tenha tornado em bem no final de tudo. Mas os meios utilizados no processo foram permeados por ódio, mágoa, frustração (Gn 37; 45).

Quando os filhos enxergam com nitidez que seus pais se amam, eles têm em sua mente um conceito sólido de família, observam o mundo sob essa perspectiva. Até mesmo quando vêem um desenho com duas figuras, uma foto com um homem e uma mulher, um casal de animais, sempre os identificam como “o papai e a mamãe”. Eles entendem que um não fica sem o outro, eles compreendem na prática, no cotidiano que os dois na verdade são um.

É comum entre os casais que estão com dificuldade em manter a disciplina de seus filhos detectar problemas de comportamento na criança sem levar em conta que esta situação pode ter origem no relacionamento conjugal. Preocuparmo-nos em encontrar os defeitos de nossos filhos é muito mais fácil do que realizar um auto-exame e colocar na balança nossas próprias diferenças como casal. Se as arestas não forem aparadas entre marido e esposa é possível que se combata o efeito e não a causa do problema. Que Deus nos dê sabedoria.

sábado, julho 15, 2006

Geração "mamãe eu quero"

Essa semana representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil vindos de todas as partes do país estarão reunidos em concílio para decidir os rumos da denominação para os próximos anos.

Apesar dessa discussão não ser a proposta do “Coisas de criança” creio que seja válido refletir sobre o que tem levado milhares de evangélicos, até mesmo no contexto das igrejas históricas reformadas (como é o caso), a buscar na religião a satisfação de suas necessidades ou desejos.

Na verdade o que se tem visto hoje no âmbito denominado evangélico é um crescimento numérico assustador, que inclusive chama a atenção de integrantes de outras religiões, como por exemplo dos católicos, que a cada dia perdem mais fiéis para as igrejas neopentecostais. O problema é que esse boom evangelicalista, pouco tem repercutido no comportamento da sociedade quando se toma por base a função da igreja, ou seja, de cada cristão genuíno ser sal da terra e luz do mundo como prescreve Jesus aos seus.

A matéria da revista Veja publicada no dia 12 de julho desse ano é o retrato dessa realidade, pois teve como objetivo levar o leitor a compreender porque a pesquisa realizada em 2004 pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) mostra que de cada 10 ex-católicos sete se tornaram evangélicos. Além disso, a reportagem aponta ainda que de 2000 a 2003 a população de evangélicos brasileiros passou de 15% para 18% segundo dados do censo levantados pela Fundação Getúlio Vargas. Esse panorama, que deveria ser encarado como uma grande vitória, nos remete a uma outra realidade, a de que, como a matéria dá a entender, os templos se transformaram em grandes divãs de terapia em grupo nos quais os fiéis se sentam, divertem-se com os shows musicais, entram em catarze e depois voltam para casa como se tivessem acabado de sair do consultório psiquiátrico.

Fico a pensar se essa dinâmica não é fruto de uma geração “mamãe eu quero” a qual evidencia deficiências na educação que vem desde o berço, em que a criança tem todos os seus desejos realizados pelos pais, nunca passa por frustrações e quando chega à idade adulta não está preparada para enfrentar os altos e baixos da vida, necessitando de uma muleta para seguir em frente.

É claro que qualquer ser humano sem Jesus está perdido, pois não tem a quem recorrer no momento da aflição, mas talvez essa seja a brecha para que muitos mega templos se encham de adoradores que mais se parecem com crianças mimadas em busca de satisfação pessoal. Isso não significa que o encontro com Jesus não traga satisfação, muito pelo contrário, mas o caminho é inverso ao que se vê hoje em dia. A proposta bíblica é que se busque em primeiro lugar o reino de Deus e as demais coisas serão acrescentadas!

Pensando nas nossas crianças e na responsabilidade que é educar, fico a questionar se nós como pais não temos alimentado, através daquilo que transmitimos aos filhos, essa eterna insatisfação interior que parece inerente ao perfil desses adoradores atuais. No momento em que os privamos de sofrer por um brinquedo que não podem ter, ou porque não nos importamos quando os irmãos brigam pelo fato de não quererem dividir seus pertences estamos impedindo nossos filhos de lidar com os reveses da vida... Muitas vezes nos esquecemos da mensagem que está embutida por trás de nossas concessões e permissividade.

Não quero aqui levantar a bandeira do não absoluto aos filhos, pois como pais cristãos temos a obrigação de demonstrar amor e enchê-los de carinho e afeto, mas precisamos deixar claro a eles que no mundo passamos por aflições a partir do momento em que nascemos, como afirmou o próprio Jesus, e precisamos nos preparar para enfrentá-las.

Se em nossos lares estivermos preocupados em oferecer aos nossos filhos aquilo que de fato lhes é necessário (e isso inclui também os “nãos”) com certeza as futuras gerações estarão em busca do que realmente pode satisfazer o coração e a alma, terão condições de aquietar o seu coração e experimentar a paz de espírito como bem expressa Davi no Salmo 131:
“SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.”

quarta-feira, junho 14, 2006

Vivendo perigosamente

Quem disse que é preciso pular de para-quedas, voar de asa-delta, praticar o raft, ou escalar uma montanha para experimentar aquela sensação alucinante provocada pela adrenalina?
Quem pensa que viver perigosamente se resume a esse espírito de aventura dos atletas de esportes radicais só pode ter essa opinião por um único motivo: ainda não teve filhos.

Embora nunca tenha desejado experimentar esse tipo de sensação (não me peça para ir ao elevador do Playcenter) hoje já acho isso banal perto da constante adrenalina que me invade praticamente todos os dias.

Minha filha mais velha foi um bebê bem chorão (um encanto de criança, mas com esse pequeno defeito). Queria estar sempre no colo. Ela não gostava do carrinho, nem do berço, e muito menos do cercado. Seu negócio era ficar no colo da mamãe. Como nunca consegui trabalhar ouvindo choro de bebê passei a desenvolver outras habilidades com apenas um braço, afinal o outro abrigava minha companheira para todas as horas, a minha pequena. Mas isso me custou um pouco caro, pois certa vez ela se machucou por estar no meu colo enquanto eu tirava do forno uma forma de pão. O sentimento de culpa me acompanhou por muito tempo, afinal me senti imprudente ao desempenhar aquela tarefa segurando um bebê. Mas, sempre pude contar com a misericórdia de Deus, aliás, é só nisso que reside nosso conforto.

Porém esse não foi o único episódio que senti a adrenalina correndo nas veias e em compensação senti também a mão poderosa de Deus literalmente segurando minhas filhas. Minha segunda bebê caiu do carrinho ao meu lado enquanto eu olhava pra outra que estava brincando. O modo como ela caiu poderia ter causado um grande estrago, mas graças a Deus ele a segurou e a protegeu com sua mão abençoadora. Mais uma vez aquele friozinho na barriga me invadiu e tem sido quase que uma constante essa sensação já que há sempre algo novo acontecendo com elas. Ou estão brincando em algum lugar perigoso, ou pegaram um objeto na gaveta, ou estão querendo ficar doentes, estão com febre, tiveram uma reação alérgica, pegaram uma virose e em todas essas situações a adrenalina está presente.

A vida fica mais tensa com a chegada dos filhos, as noites se tornam mais curtas, o sono mais leve. Com poucas horas de vida eles já deixam nosso coração apertado, e mesmo que não estejam em situação de perigo, quando pensamos a respeito deles às vezes sentimos o coração disparar.

Tudo isso nos faz pensar que se por um lado precisamos a cada dia aprender a zelar mais e mais pelos nossos filhos não só por sua vida física, mas também por suas emoções, ou sua vida espiritual, por outro lado temos que ampliar nossa fé naquele que nos sustenta e nos protege. Se viver ficou mais perigoso com a chegada dos filhos nada melhor que desenvolver a habilidade de depositar nossa confiança no Senhor de tudo. Saber que Deus está no controle de todas essas situações que trazem preocupação faz toda a diferença para o coração da mãe. Só ele pode nos dar paz para enfrentarmos essa vida doce, mas não menos “perigosa”. Mas quem é que não gosta de adrenalina?

segunda-feira, maio 29, 2006

A primeira viagem

Durante toda a minha primeira gestação (enquanto ainda me sobrava um pouco de tempo) me transformei numa internauta inveterada. Lia muito sobre tudo o que se relacionava à gravidez, tinha interesse em conhecer passo a passo o desenvolvimento do bebê a cada semana, procurei me inteirar sobre os mais diversos aspectos referentes a essa temática: desde a alimentação adequada a esse período até dicas sobre como amamentar, o que fazer na hora das cólicas, como agir no hospital; e tudo isso me foi de grande valia.

Ao final da gestação me via de certa forma preparada para encarar aquela nova etapa, crente que poderia tirar de letra essa tão grande mudança em minha vida.
Até que ela chegou... e eu, que nunca havia sequer trocado a fralda de nenhum bebê me vi naquele momento mãe e de fato era minha primeira viagem. Após ler livros, pesquisar, me inteirar sobre esse novo acontecimento não fazia a menor idéia de que internamente teria a seguinte reação: sou mãe, e agora?

Ao mesmo tempo em que procurava manter a serenidade, me via perdida em meio a tantas informações e a opiniões tão antagônicas sobre o assunto, que em muitos momentos fui levada às lágrimas e a um sentimento quase que incontrolável de insegurança.

Quando se é mãe pela primeira vez a pior coisa que se deseja é que os outros te achem incapaz de exercer essa tarefa. A sensação que tive quando as pessoas a minha volta, ainda que na melhor das intenções, tentavam me dar dicas ou me ensinar algo sobre como lidar com o bebê (todo mundo nessas horas sempre tem um palpite a dar) é de que ninguém depositava fé na minha habilidade para ser mãe. Embora essa seja uma reação normal às mães de primeira viagem, não tenho orgulho desse sentimento, pois na minha arrogância não queria admitir que aquilo era uma grande realidade. Só iria aprender a lidar com aquela novidade com o passar do tempo, ao vivenciar experiências. Mas Deus me ensinou que precisava exercitar mais uma lição: a humildade, devia reconhecer minhas limitações, afinal ser mãe, sem dúvida, era novidade para mim.

Apesar de não querer admitir (o orgulho faz isso com a gente), aprendi muito com a experiência de outras mães e também fui buscando diante de Deus a segurança necessária para enfrentar esse desafio que estava à minha frente.

Só em Deus pude encontrar refúgio para cuidar do meu bebê, mesmo porque conceitos errados a respeito da maternidade difundidos pelas próprias mães muitas vezes são confundidos com amor, carinho, cuidado. Desde a escolha do local onde o bebê vai dormir até quando a “vara” será usada pela primeira vez, tudo deve estar respaldado nos ensinamentos bíblicos.

- Apenas um exemplo para ilustrar essa idéia: os bebês choram muito nos primeiros meses de vida. Ou estão com cólica, com fome, com frio, assustados com o mundo grande ao seu redor. Enquanto nossa tendência é entrar em desespero, chorar junto com a criança, agir com nervosismo, a Bíblia insta-nos a ser mansos, serenos, a lançarmos sobre Deus nossas ansiedades e nada melhor do que aplicar essas verdades numa situação como essa. Ao invés de perdermos tempo ficando inquietos e apreensivos diante do bebê deveríamos em primeiro lugar orar a Deus pedindo tranqüilidade, respirar fundo, manter a calma para poder transmiti-la, com certeza os resultados seriam muito mais eficientes e chegariam mais cedo.

Compartilhar a experiência de ser mãe pode ser reconfortante e enriquecedor, mas nunca se deve deixar de lado a necessidade de permear essa experiência com os conceitos bíblicos da maternidade principalmente para quem está em sua primeira viagem.

terça-feira, maio 23, 2006

O milagre de 9 meses


Viver intensamente os 9 meses de gravidez é algo muito gratificante. Apesar das preocupações normais de uma mulher que até então não sentia na pele a responsabilidade por um ser completamente dependente, a gestação é algo surpreendente, um grande milagre que não pode ser ignorado. Hoje com o recurso da ultrassonografia acompanhar esse processo tornou-se uma tarefa fascinante.

A primeira vez que vi meu bebê, ainda no meu ventre com apenas 12 semanas de vida e já com todos os membros de seu corpo presentes, tendo pouco mais de 6 centímetros de comprimento, e já movimentando-se rapidamente, fiquei completamente maravilhada, me vi portadora de uma dádiva que mais uma vez revelava o poder criativo de Deus. Em curtos 9 meses, (para a grávida nem tão curtos assim) o bebê passa de uma célula microscópica a um ser humano cheio de potencialidades como num passe de mágica.

Numa das minhas aulas de pós-graduação assistimos a um filme que tinha como tema o desenvolvimento do bebê durante a gestação e foi impressionante perceber a rapidez com que um novo ser é entretecido no útero materno, como diz Davi no Salmo 139.
Gerar um filho dentro de si é uma maneira (no caso da mulher) de refletir a imagem de Deus como Criador, aquele que dá vida. Não é à toa que o momento do parto é chamado de “dar à luz”.

Hoje olho para as minhas filhas e procuro me lembrar dessa verdade e vejo o quanto preciso reconhecer a necessidade do auxílio divino para criá-las, educá-las... e nada melhor que o próprio Criador para ensinar como se deve lidar com o produto de seu trabalho. Se é ele quem nos forma como um artífice só ele tem condições de nos ajudar a cuidar de algo tão precioso confiado às nossas mãos. Será que temos a dimensão dessa responsabilidade?

Talvez se todas as mulheres, tanto as mães em potencial como também aquelas que já carregam essa marca, pudessem dar o devido valor a esse período tão ímpar de suas vidas, que é a gestação, nos sentiríamos muito mais seguras em educar nossos filhos afinal creio que o sentimento de segurança seja o maior anseio de quem conhece as atribuições de ser mãe.

Lição de altruísmo

Muitos me perguntam como consigo criar três filhas pequenas com pouquíssima diferença de idade e que vivem numa busca incessante pelo desvendar, pelo conhecer, pelo descobrir.
Dentro do ambiente em que vivem cada porta é uma aventura, cada canto da casa um esconderijo, cada espaço um mundo a ser explorado.Em cada uma dessas situações me vejo constantemente apreensiva, temerosa de que algo lhes aconteça, de que se machuquem... uma espécie de tensão associada ao entusiasmo de vê-las crescer.

A vida com elas é sempre muito corrida, já que as três ainda dependem de mim para praticamente tudo e dificilmente minha casa está em ordem, a louça está lavada, ou a cama arrumada. É algo que preciso trabalhar em mim o tempo todo. Mas acho que não existe maneira mais prática de se aprender o altruísmo qdo se é mãe. Aprendemos o abnegar, o abrir mão, e em muitas ocasiões esse aprendizado é doloroso. Às vezes tenho a sensação de que só vivo pra satisfazer a necessidade de outros, e preciso aprender, em diversos momentos, a abrir mão das minhas, mas creio que não haja tarefa mais sublime e eu diria mais importante do que essa: ser mãe.
Vejo que muitas pessoas (e até mesmo eu) possuem o pensamento de que essa tarefa tem menos valor do que obter uma carreira e utilizar a inteligência a serviço de uma empresa, mas vejo que é preciso muito mais que inteligência para formar um cidadão, um ser humano ético, honesto, e no nosso caso exemplo de cristão. Uso aqui o mesmo termo utilizado por Paulo no livro de Romanos (12.2) quando diz que não devemos nos conformar com este século, ou seja, não devemos usar a fôrma do mundo para nos moldar. Quem são aos fôrmas dos nossos filhos? Se nosso molde não for o grande Autor da vida: Jesus, como poderemos formá-los?Não devemos nunca menosprezar esse papel, pois não existe salário que pague o vivenciar o desenvolvimento de uma criança ainda que muitas vezes nossas forças pareçam se esgotar. Se pensarmos em nossos filhos como heranças, o que pode ter maior valor do que eles?

"Herança do Senhor são os filhos, o fruto do ventre o seu galardão" Sl 127.3
Que Deus nos enriqueça em sabedoria para ganharmos o coração de nossos filhos e aprendermos, ainda que a duras penas, o que é de fato o amor de Deus e assim amarmos nossa família sem egoísmo.

Sejam bem vindos!

Este blog é apenas uma tentativa despretenciosa de compartilhar com seus visitantes a maravilhosa experiência da maternidade.

Sou mãe de 3 filhas lindas entre 6 meses e 4 anos e posso dizer que minha vida mudou para sempre depois que fui presenteada com a chegada delas. Meu marido também pode dizer o mesmo, afinal somos uma equipe nessa tão fantástica tarefa: ter filhos.

Espero que gostem desse canal de comunicação e se desejarem usem-no para fazer comentários e assim enriquecer nossas histórias.