segunda-feira, outubro 16, 2006

O que é mimar?

Há muito tempo venho pensando sobre o que significa “mimar” uma criança.

É certo que existe um consenso entre pais e educadores de que mimar é nocivo, é algo que impedirá a criança de lidar com os obstáculos que poderá vir a enfrentar ao longo da vida e também irá prejudicar seus relacionamentos em qualquer esfera.

Embora naturalmente se associe o mimar com satisfazer todos os desejos da criança ou enchê-la de presentes, ou ainda evitar a disciplina por algum ato de desobediência, tenho percebido uma outra espécie de mimo que é de igual modo maléfica. Como estou sempre repensando minhas atitudes como mãe, pois em minha opinião a auto-análise é indispensável, venho me questionando se o fato de só dar atenção às minhas filhas no momento em que estão fazendo algo de errado também não é uma maneira de mimá-las. É ponto pacífico que esta atitude está completamente equivocada e vai de encontro a tudo o que já li a respeito de educação de filhos e principalmente se contrapõe ao conceito bíblico que mostra a necessidade de investir em qualidade de tempo junto às maiores riquezas que Deus nos confia. A prescrição registrada por Moisés em Deuteronômio deixa bem clara essa idéia: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Dt 6.6-7).

Talvez, para quem ainda não tenha passado pela experiência da maternidade (falo especialmente às mães, pois o tempo dos pais no lar é mais escasso), seja difícil entender como alguém pode restringir a atenção aos filhos ao momento da disciplina. Mas para aquelas famílias que possuem uma ou mais crianças que estejam principalmente na primeira infância, sendo este o período de maior dependência dos pais, fica mais fácil compreender como é comum incorrer nesse erro. Isso porque o dia parece voar nessa fase, as mães ficam quase que em tempo integral à disposição dos filhos, cuidando para que cada uma de suas necessidades (necessidades, não desejos) seja atendida. Em meio a essas circunstâncias é comum o cansaço e a tentação de se distanciar e só agir quando surge algum problema.

Se pararmos para analisar o resultado dessa atitude de certa forma passiva de pais que só se dirigem aos filhos quando as coisas estão saindo do controle, vamos perceber que essas crianças irão aprimorar ainda mais seu mau comportamento para atingir seus objetivos. E o que é isso senão o sinônimo de criança mimada?

É interessante notar como os extremos se aproximam nesse caso, já que tanto o fazer as vontades quanto o só disciplinar apresentam o mesmo efeito: mais indisciplina. Nossos filhos precisam de nós quando estão quietos assistindo TV, ou quando estão brincando no quarto ou se apenas se achegam para dar ou receber carinho.

Muitas vezes temos tantas desculpas para justificar nossa ausência (de corpo presente) que nos esquecemos de avaliar os frutos que estamos colhendo pela negligência. Essa é mais uma lição que desejo tomar para mim.