quarta-feira, maio 30, 2007

Por que a gratidão alegra o coração...

Minha filha Isabel fez três anos em março passado. Eu e meu marido saímos juntos para então comprar um presente que pudesse marcar a data e tentamos escolher algo que se identificasse com ela. Ultimamente vínhamos percebendo seu interesse em brincar de auscultar o coração do papai, ver se a mamãe estava com febre, e então achamos que um kit com acessórios médicos seria o presente ideal. Mas quando estávamos realizando a compra nos lembramos de que na ocasião do aniversário de Sarah (4 anos), nossa filha mais velha, havíamos presenteado a Isabel também. Por conta disso, achamos que seria menos traumático se comprássemos um presente para as três filhas.

Para Sarah, tão sonhadora e apaixonada por contos de fada, escolhemos então uma varinha de condão (com uma luz vermelha que acendia e piscava), que vinha também com brincos e uma coroa. Para Lídia escolhemos um elefantinho de pelúcia. Pronto, estávamos preparados para chegar a nossa casa e vê-las se deliciarem com os novos presentes. E foi assim que aconteceu: cada uma passou a explorar todas as possibilidades que seus brinquedos novos poderiam oferecer e por um longo tempo ficaram felizes e entretidas.

Ao final da tarde, porém, Sarah começou a notar que a luz de sua varinha de condão já não estava piscando como antes, o que a levou a romper em prantos por sentir-se tão frustrada com aquela situação. Tentei descobrir o mais rápido que pude qual seria o problema do brinquedo, e a conclusão que cheguei foi de que a pilha deveria estar fraca. Expliquei a ela, tentando o ser o mais clara e objetiva possível, que como a varinha já havia sido usada por bastante tempo, a pilha já estaria chegando ao seu limite. Também lhe disse que não havia em casa uma pilha substituta e nem teríamos condições de comprá-la naquele mesmo dia. Mas todas as minhas explicações e tentativas de amenizar seu desapontamento foram inúteis. Seu rostinho já não estampava mais a alegria que sentira ao receber aquele presente especial. Agora seus sentimentos haviam se invertido completamente e ela os externava mostrando grande irritação, choro e manifestações de ira. Naquele momento já não podia mais continuar tentando amenizar a situação sem antes levá-la a reconhecer o erro em sua atitude. Pedi a ela que fosse até seu quarto para então conversarmos, e ela já sabia que algo iria acontecer, pois esse é o procedimento que adotamos quando a circunstância exige disciplina e correção. Contei até 10 e fui conversar com ela.

Com três filhas pequenas sempre tivemos necessidade de investir em recursos que pudessem distraí-las para que os afazeres domésticos não ficassem tão abandonados. Por isso temos procurado, na medida do possível, adquirir material infantil, inclusive DVDs, que além de entretenimento venham também a complementar de forma lúdica o que já vimos ensinando a elas no dia a dia. Foi então que me lembrei de uma animação da série “Vegetais” chamada Madame Blueberry, que narra a história de uma ‘uva’ que vivia muito tristonha por achar que seus vizinhos possuíam coisas melhores e mais bonitas do que as dela. Seu desejo era de sempre comprar, gastar, na tentativa de satisfazer os anseios de seu coração. Mas ao caminho do shopping ela se depara com uma família pobre comemorando o aniversário da filha, e apesar de só haver um pedaço de torta para se comer estavam todos agradecidos a Deus por terem um ao outro e por serem felizes apesar das dificuldades. Aos poucos, enquanto ia enchendo seu carrinho de compras, a uvinha triste ia percebendo que nada daquilo estava lhe trazendo a verdadeira satisfação e então ela pergunta ao vendedor se no shopping seria possível comprar um coração alegre. Ela descobre então que sua alegria só seria possível se ela agradecesse a Deus as bênçãos que já possuía.

Não pensei duas vezes. Recordei junto a Sarah essa história, ainda que singela mas ao mesmo tempo repleta de verdades bíblicas. Disse-lhe que se seu coração estivesse grato ela não iria chorar por causa da luz da varinha de condão. Lembrei-lhe também que naquele dia não era seu aniversário, mas que mesmo assim papai e mamãe haviam decidido presenteá-la. Já estava preparada então para corrigi-la com a “vara”, mas aos poucos, seu choro irritado foi dando lugar a um murmúrio arrependido, e antes mesmo de eu completar meu raciocínio ela já havia me pedido desculpas e estava mais feliz com seu brinquedo. Nos abraçamos e agradecemos a Deus por ser tão gracioso em nossas vidas.

Que lição maravilhosa trouxe a mim aquele momento. Busquei sabedoria e Deus colocou em meus lábios suas palavras e providenciou ferramentas a serem usadas para instrução e admoestação não só da minha filha, mas minha também, afinal sempre devemos nos recordar sobre a necessidade de um coração grato.
“...Porque a gratidão alegra o coração. Sou feliz com o que tenho sempre vou agradecer. Pelo amor que nos dás, porque sempre nos vigia, por isso agradeço todo dia...” (música tema da animação “Madame Blueberry” – Os Vegetais)

Um comentário:

Anônimo disse...

Que linda historia!!! E gracas a Deus pelo amor derramado sobre estah familia...que a Sarah, Belzinha e a Lidia possam cada dia mais crescer, como servas do Senhor verdadeiro que enche de alegria.... e que suas vidas sejam para glorificar a Deus....beijinhos...Ana - Betel